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Nosso conceito de inovação diz respeito, essencialmente, à criação de novos valores para o mundo. Esses valores são criados através de novas tecnologias, novos modelos de negócios, novos produtos e serviços ou novas formas de empreendedorismo social, e eventualmente através da melhoria significativa de produtos, serviços, tecnologias e modelos já existentes, dando a eles novo valor, alcance e significado. Inovação impulsiona o crescimento econômico a longo prazo e proporciona melhoria na qualidade de vida.

O Departamento de Comércio dos EUA, por exemplo, informou em 2010 que a inovação tecnológica pode ser responsável diretamente por 75% da taxa de crescimento dos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O Reino Unido relata que dois terços do crescimento da produtividade do seu setor privado é resultado de inovação. Os economistas Klenow e Rodriguez-Clare descobriram que 90% do crescimento da renda por trabalhador em vários países pode ser atribuído à inovação. Resumindo, a inovação tornou-se o condutor principal do crescimento econômico, da competitividade e até mesmo da criação e manutenção de empregos a longo prazo, ao menos nas economias mais desenvolvidas.

Segundo o Secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) Angel Gurría, "os países precisam se aproveitar da inovação e do empreendedorismo para estimular o crescimento e o emprego, pois inovação é a chave para um aumento sustentável dos padrões de qualidade de vida."

Entendida a inovação como um dos bens mais importante para o futuro da economia e da sociedade global, governantes, políticos e lideranças em geral não podem considerá-la como garantida. A inovação não vai simplesmente cair do céu. Inovação só floresce e só frutifica em meio a sistemas complexos e estratégicos que tenham sucesso em coordenar uma gama de políticas díspares que impactam a capacidade e aprimoram as habilidades dos agentes públicos e privados para inovar de forma eficaz. Aí se incluem políticas relacionadas a investigação científica, incentivo à comercialização de tecnologia, investimentos em infraestrutura de TI e comunicação, educação e desenvolvimento de competências, políticas tributárias, garantias à propriedade intelectual e a livre concorrência.

No âmbito global, o que se verifica é uma corrida entre os países desenvolvidos, que estão competindo ferozmente para incubar, acelerar ou atrair empresas, buscando trazer pra dentro de casa indústrias e outros empreendimentos inovadores ou que operem nos setores que mais acrescentam valor à atividade econômica (como a manufatura avançada, as indústrias que usam tecnologias de ponta ou as que trabalham com energias renováveis). No entanto, muitas das iniciativas implementadas para maximizar a inovação podem não ser as mais adequadas. Por exemplo, políticas do tipo que obrigam a produção local forçada ou imposições de transferência de tecnologia como condição de acesso ao mercado pouco fazem para aumentar o estoque geral de inovação ou de conhecimento produzido no ambiente, sendo efetivas apenas em mudar o local onde ocorre a produção.

Em contraste, países que competem reforçando sem artifícios seus próprios núcleos de inovação e suas próprias sociedades através do investimento em pesquisa científica, educação e infraestrutura de TI, não só reforçam sua capacidade competitiva como acabam por produzir novos conhecimentos, descobrir novas habilidades, construir novas tecnologias e criar novos produtos e serviços que transbordam para beneficiar o mundo inteiro.

(Com informações de Contributors and Detractors: Ranking Countries’ Impact on Global Innovation, de Stephen J. Ezell, Adams B. Nager, and Robert D. Atkinson, 2016).