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Como grandes empresas podem desatar seu potencial criativo.

Em um mundo onde as tecnologias evoluem em ritmo alucinante, em que as preferências dos consumidores são instáveis como a direção do vento e cujos mercados frequentemente acabam por seguir rumos imprevistos, a inovação é fundamental para toda e qualquer empresa, de todos os tamanhos, em todos os setores, em qualquer lugar.

Empresas que não conseguem melhorar o seu funcionamento e aprimorar a oferta de produtos e serviços para responder às mudanças em seus ambientes tendem a cair no esquecimento e ser superada por concorrentes mais ágeis. A questão estratégica para as empresas é definir a melhor forma de fomentar uma cultura de inovação e promover a criatividade empresarial em todos os níveis da organização.

Para muitas empresas, esta tarefa está intimamente ligada à melhoria da comunicação, fundamental para que a colaboração e a troca de informações consiga fluir livremente através das barreiras hierárquicas e fronteira entre departamentos e ambientes internos, e mesmo entre unidades geograficamente distantes.

Em tempos recentes, o estudo e a investigação a respeito da forma como as empresas investem em inovação trás algumas conclusões que podem servir de orientação às iniciativas individuais de qualquer companhia, mesmo as pequenas e microempresas.

1. As empresas em todo o mundo estão apostando seu futuro na sua capacidade de inovar. A criação de novos produtos e serviços está entre as prioridades de mais da metade (54%) das grandes empresas, colocada em seus planos estratégicos em posição mais importante do que redução de custos ou investimentos em novos em talento. Mais de dois terços (71%) fizeram novos investimento em inovação ao longo dos últimos três anos, sendo que um quarto (25%) o fizeram de forma significativa (com aumento do investimento em mais de 20%). Esta tendência não mostra sinais de diminuir: quase um terço (31%) espera aumentar o seu investimento em inovação de forma significativa nos próximos três anos.

2. A inovação é uma habilidade corporativa essencial, mas em que há espaço para melhorias. Enquanto dois terços (67%) das grandes empresas se consideram "boas" em inovar, apenas 20% pensam que são "excelentes", enquanto 13% admitem que são "pobres" ou "muito ruins". Gestores de grandes companhias, em linhas gerais, têm um certo consenso a respeito dos fatores preponderantes que fazem com que seu negócios sejam inovadores: uma cultura coorporativa que incentiva ideias em todos os níveis hierárquicos; alta tolerância a falhas; apoio a inovação de fato partindo de uma liderança forte.

3. Muitas empresas investem altas somas e muita energia em inovação, mas não conseguem se beneficiar do investimentos, pois são incapazes de repensar sua abordagem em relação à inovação. Isso acontece quando os funcionários não têm confiança na sua capacidade de se comunicar com os colegas para desenvolver ideias inovadoras, confiança essa que cai progressivamente à medida que eles encontram mais e mais barreiras à comunicação e compartilhamento de ideias. Funcionários de unidades diferentes têm uma barreira cultural que faz com que haja a sensação de que não falam a mesma língua. Funcionários das unidades parecem não dominar o idioma dos funcionários da sede, como se esses usassem algo que para aqueles fosse como uma segunda língua, que até entendem mas na qual não conseguem se expressar plenamente, e vice-versa. Como se estivessem em países diferentes. Barreiras hierárquicas também são fatais para o processo criativo. Invariavelmente, o engajamento em processos de incentivo a inovação decai progressivamente a medida que a escala hierárquica se distancia do topo.

4. As empresas ambicionam criar uma cultura de experimentação, mas geralmente não conseguem seguir adiante. Uma cultura criativa é aquela em que cada funcionário se sente encorajado a sugerir ideias, e em que existe um alto patamar de tolerância à falhas. Mas muitas empresas simplesmente não tomam medidas necessárias para garantir que essas condições estejam presentes, ao mesmo tempo em que clamam promover a criatividade e a inovação. Cerca de um terço da grandes empresas admitirão que sua cultura é de pouca ou nenhuma tolerância à falhas. Por outro lado, pouquíssimas serão as empresas que permitem, programaticamente, que seus funcionários dediquem tempo e recursos corporativos a experimentar em seus próprios projetos.

5. As empresas precisam cultivar e desenvolver as competências dos seus colaboradores no desenvolvimento de novas ideias e na comunicação dessas ideias amplamente dentro da organização. Investir na construção da confiança e treinamento de comunicação pode trazer benefícios significativos. A melhoria da capacidade de comunicação dos funcionários aumenta significativamente a capacidade das empresas inovar. No entanto, os investimento nessa área são geralmente inadequados ou inexistentes. Muitos gestores jamais tiveram qualquer educação formal ou treinamento em habilidades de criatividade ou de comunicação.

(Adaptado de The innovative company: How multinationals unleash their creative potential, an Economist Intelligence Unit report, 2015).